22.6.10

novos evangelhos

«Olharei a tua sombra se não quiseres que te olhe a ti, Quero estar onde estiver a minha sombra, se lá é que estiverem os teus olhos.»


O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago.

21.6.10

ponto de exclamação

nada contra. é só preciso saber usá-lo.

19.6.10

os amigos de la palisse (8)

não poderemos nunca voltar ao início se cada vez estamos mais longe dele. e o nosso mundo alongadamente rectilíneo.

13.6.10

a esperança de não morrer novo

está presa por um fio de cabelo que me deste, ainda que não propositadamente, quando atrás de ti andava. é esse folículo piloso que, vá lá, serve-nos melhor que qualquer anel, e não só por ser mais barato.

10.6.10

os amigos de la palisse (7)

deve-se falar muito e errar bastante, até ao dia em que falaremos pouco, sem errar quase nada.

1.6.10

refeições e a memória delas

não está certo não conseguirmos dormir à noite, bem como os estragos das refeições prolongadas por odores que, tal como simples madalenas, visitam-nos em revivalismos de abraços de comunhão. tão bons amigos partilhando a mesa, tão cara a memória desses momentos. eternos pensamos ser, eternos por hoje somos.

25.5.10

os amigos de la palisse (6)

ficou perplexo no meio de umas escadas. não conseguia perceber se aquelas eram mais úteis para subir ou para descer. acabou por retornar ao movimento, mas sem saber se estava mais perto do topo ou do fundo.

22.5.10

remédio para muitos anos


e ilustração para prévias ideias familiares.

21.5.10

é-me familiar

esta ideia de irmos mas jamais chegarmos a sair do meio de nós.

18.5.10

os amigos de la palisse (5)

andamos a ficar mais velhos, em sprints galopantes, e não só pelos primeiros cabelos brancos, mas também por eles aparecerem e não nos importarmos.

12.5.10

os amigos de la palisse (4)

saímos sempre satisfeitos quando a noite se prolonga num novo dia, o contrário já nos custa, tanto ao corpo como à dignidade. é difícil ser noctívago.

9.5.10

a piada do cão, a desgraça do homem

um cão que saiba passar a passadeira melhor que um adulto de nariz empinado pronto a levar um buzinão. tem mais piada o cão, não só porque sabe olhar para os dois lados antes de avançar, como, se for preciso, deixa um presente no meio da zebra impressa que o homem de nariz empinado acabará por pisar.

7.5.10

stradivarius

essas serenatas de gente de cápsulas negras, a encarreirar em lágrimas com alcoolemia superior à permitida no código civil, deixa-me transtornado, verdade que deixa. safam-se os teus olhos e os vincos na saia do teu traje, esse luto estudantil que te realça as feições e me aumenta a alegria de gostar de ti. serás sempre stradivarius, quer pela delicadeza, quer pela raridade.

5.5.10

a colmeia



fomos para lá num enxame de abelhas, em tons de violeta.

2.5.10

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sem pressa de chegar longe, um blogue de joaquim francisco cinzento, sem data para se cumprir.