continua aqui, bem dentro dos meus olhos, não sei quando vai, não aguardo que regresse, mas continua aqui, bem dentro dos meus olhos, acabará um dia pois os meus olhos um dia irão fechar, ou os meus olhos são eternos para lá desta linha de tempo, mas continua aqui, bem dentro dos meus olhos. venham todos, venham ver, bem dentro dos meus olhos.
28.1.11
26.1.11
cinza
o mundo é cinzento.
o mundo é cinzento.
o mundo é cinzento.
será o mundo cinzento?
será o mundo cinzento?
será o mundo cinzento?
tenho quase a certeza que é cinzento.
tenho quase a certeza que é cinzento.
tenho quase a certeza que é cinzento.
e se ele é colorido na parte que me falta?
e se ele é colorido na parte que me falta?
e se ele é colorido na parte que me falta?
sou eu o Cinzento.
sou eu o Cinzento.
sou eu o Cinzento.
(x n vezes)
o mundo é cinzento.
o mundo é cinzento.
será o mundo cinzento?
será o mundo cinzento?
será o mundo cinzento?
tenho quase a certeza que é cinzento.
tenho quase a certeza que é cinzento.
tenho quase a certeza que é cinzento.
e se ele é colorido na parte que me falta?
e se ele é colorido na parte que me falta?
e se ele é colorido na parte que me falta?
sou eu o Cinzento.
sou eu o Cinzento.
sou eu o Cinzento.
(x n vezes)
25.1.11
24.1.11
21.1.11
ele que venha
quando tudo é tão mau, já nada poderá ser bom e o que é não chega a ter sabor. o diabo que venha.
18.1.11
os amigos de la palisse (27)
sem um senso comum de dúvida, a certeza passa a ser a certeza de saber sem errar. e se erramos sem o senso de errar, mais a certeza de não errar emerge, sem sabermos nós quanto errado estamos enquanto pensamos saber.
15.1.11
12.1.11
11.1.11
16:57 [Comentário de Paulo Mendes Paulo Mendes : ]
O senhor acha que tem perfil para ser Presidente da Republica? ou seja acha que seria levado a sério quer no plano interno , quer no plano externo? Acha que os Portugueses a olharem para o senhor vêem um homem sério e credivel?
terça 11 de janeiro de 2011 16:57 Paulo Mendes
17:01 José Manuel Coelho - Pois claro. Porque um Presidente da República não precisa ser um "expert" em todas as áreas do conhecimento. Bastava ele saber rodear-se das pessoas adequadas. O Presidente traça as directivas e depois reúne-se de pessoas capacitadas para o aconselhar. Foi assim que o Lula governou o Brasil . O Lula provou que pode governar um País, sem grandes conhecimentos académicos, como também o fez Lech Walesa.
O Presidente é um árbitro, não tem necessariamente de saber jogar à bola.
O senhor acha que tem perfil para ser Presidente da Republica? ou seja acha que seria levado a sério quer no plano interno , quer no plano externo? Acha que os Portugueses a olharem para o senhor vêem um homem sério e credivel?
terça 11 de janeiro de 2011 16:57 Paulo Mendes
17:01 José Manuel Coelho - Pois claro. Porque um Presidente da República não precisa ser um "expert" em todas as áreas do conhecimento. Bastava ele saber rodear-se das pessoas adequadas. O Presidente traça as directivas e depois reúne-se de pessoas capacitadas para o aconselhar. Foi assim que o Lula governou o Brasil . O Lula provou que pode governar um País, sem grandes conhecimentos académicos, como também o fez Lech Walesa.
O Presidente é um árbitro, não tem necessariamente de saber jogar à bola.
9.1.11
d'este viver aqui neste blogue descripto (1)
«(..) Queridos pais aqui no Chiúme as coisas correm o melhor possível dentro do melhor possível que é possível (..)»
António Lobo Antunes, Os Cus de Judas
António Lobo Antunes, Os Cus de Judas
7.1.11
4.1.11
os amigos de la palisse (26)
os amigos de la palisse já deveriam saber como as engrenagens funcionam, mas não, continuam surpresos, quase sempre, para bem deles - e nosso.
1.1.11
30.12.10
29.12.10
pinheiro, júlia
dizia ela que só queria pôr um lenço na cabeça. com aquela voz tão estridente, eu só tinha pena de não lhe colocarem um lenço na boca.
27.12.10
24.12.10
21.12.10
os amigos de la palisse (25)
não conseguir ver ao longe aquelas palavras tatuadas no nosso peito diz muito da miopia que tende a assolar os nossos corações já amblíopes.
18.12.10
escorregar por entre as contorções
algo vive nestas linhas parkinsonianas. é um tremor que vem de dentro. um cativeiro, disseram-me um dia, que nos deixa andar catitas a balançar a corda que o carrasco virá um dia reclamar. da minha parte, este pescoço fino e delicado diz muito da vontade em escorregar por entre as contorções dessas cordas fóbicas.
15.12.10
colibri
chamou-me colibri. algum dia viria em que a timidez não a impediria de me julgar um beija-flor taquicárdico.
13.12.10
11.12.10
10.12.10
apostar
se o tempo cura tudo? não arrisco, até porque, até ver, o tempo vive mais do que nós, e, vai daí, posso tanto apostar na sua eficácia como na sua preguiça. e eu nunca fui bom em apostas.
7.12.10
nem é
tem sido muito difícil empilhar toda esta enxurrada de probabilidades. mais fácil é reconhecer que, enfim, isto não foi - nem é - nada.
4.12.10
os amigos de la palisse (24)
o único livro constante na sua cabeceira era, invariavelmente, o dicionário. à noite, nas leituras depurativas da existência (espécie de centrifugação do sentimento de si), constatava o seu analfabetismo. a humildade de reconhecer que ainda andamos a gatinhar nunca fez mal a ninguém.
2.12.10
hoje, fala-me de hoje
Today you were far away
and I didn't ask you why
What could I say
I was far away
You just walked away
and I just watched you
What could I say
How close am I to losing you
Tonight you just close your eyes
and I just watch you
slip away
How close am I to losing you
Hey, are you awake
Yeah I'm right here
Well can I ask you about today
How close am I to losing you
How close am I to losing
28.11.10
revisitar
regozijo-me quando olho para mim e me vejo em termos de perspectiva cónica, com todos os horizontes a convergirem para um de dois pontos de fuga.
25.11.10
os amigos de la palisse (23)
uma guitarra invertida não inverte o seu som. daí que o homem, por mais invertido e distorcido - por sua vontade ou imposta -, também não consegue perder um fio de humanidade. como se fosse difícil, dentro das várias melodias do quotidiano, perder a melodia que no ouvido, por fim, resta. e o mais que fazemos é trautear a música dos nossos mortos sempre vivos.
22.11.10
20.11.10
19.11.10
os amigos de la palisse (22)
tratar aquilo que não tem arranjo é mais do que teimosia, é tortura. saber quando desistir é bem mais útil do que saber quando vencer. num futuro reservado a cada um, também nos faltará o devido conserto.
16.11.10
14.11.10
13.11.10
ponto morto
nem avançar nem recuar, ainda assim com o pé na vida estática, até nos encarreirarmos numa nova mudança.
10.11.10
os amigos de la palisse (21)
duas metades de um não são iguais, assim como esse um não é igual à metade desses dois. é uma questão de ver a simetria que não está nessa assimetria que de facto é.
9.11.10
8.11.10
.
amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria.
7.11.10
4.11.10
cadência de inventar respostas
as oportunidades de acabar são cada vez menos que as oportunidades de começar. tantos princípios que se afunilam em poucos fins. a problemática de encetar o rastreio de probabilidades de terminar o que se principia está para nós como uma equação cheia de incógnitas, nós mesmos uma dúvida que não se lhe reconhece solução. melhor é continuar nesta cadência de inventar respostas, quiçá um dia se acerte.
1.11.10
os amigos de la palisse (20)
todas cintilam, umas mais que as outras, todas parecendo muito acima de nós. as mulheres da nossa vida, claro.
30.10.10
28.10.10
25.10.10
23.10.10
20.10.10
17.10.10
os amigos de la palisse (19)
muito voltar, muito partir, muito não saber. um dia, morrer, e continuar sem saber.
14.10.10
11.10.10
muletas
ninguém avisou os filhos da madrugada que, ironicamente, ainda é de noite. e muitos anos têm vivido, só pode, com uma venda branca. a claridade baça que os anima encerra os canos das espingardas - extensões dos braços vizinhos - que não chegaram a ser exiladas. uns contra os outros, não há figura simbólica, um homem, um corpo que sintetize a vontade de mudança. outrora um regime, hoje uma sociedade diluída. e não há fado ou saudade que nos valha neste amparo do país de muletas.
8.10.10
os amigos de la palisse (18)
como cacos de ouro em potes remendados, a vida remendada é mais difícil de negociar com as agências de rating do descanso eterno.
5.10.10
2.10.10
29.9.10
quem o garante?
o homem moderno, minúsculo ser de numerosos tentáculos, sabe recuar ao passado com a precisão de quem diz:«estive lá». agora, aprender com isso, quem, quem o garante?
26.9.10
21.9.10
os amigos de la palisse (16)
a meia luz do caminho, uma celebração. a meia escuridão da morte, o fundo da vida. precisamos ser como o coveiro que, depois de abrir o buraco alheio, sabe sair de lá. muito triste, isto tudo, para até um coveiro não poder abrir o seu próprio buraco, quando a altura o exigir. morrer deixa-nos baços.
18.9.10
os amigos de la palisse (15)
costumávamos esperar pela chegada das dúvidas. fomos, entretanto, adquirindo algumas certezas desde então. porém, para nosso bem, temos mantido muitas dúvidas sobre quase tudo. para nosso bem.
15.9.10
11.9.10
irregular espaço de céu
dominávamos o glossário da conversa irregular, talvez sim. nessa licença para persistir na comunicação verbal, temos sido também exímios deturpadores. não há lugar no céu para nós de momento, mas dizem as bocas largas de inferno que pode, quem sabe, abrir um vaga entretanto.
8.9.10
5.9.10
o ciclo do ciclo do ciclo
no fecho dos ciclos, há o ciclo de acabar, para este ciclo de terminação, às voltas, rodopiar sobre nós, enquanto nós, às voltas, comemoramos o ciclo da iniciação.
2.9.10
os amigos de la palisse (14)
não conseguimos viver se o corpo não o permitir, mas sempre conseguimos lutar se ele, o cadáver adiado, nos conceder a virtude da impaciência.
30.8.10
profecia ao deitar?
exilados na bolsa marsupial, somos embriões congelados para desenvolvimentos futuros. quando vamos nascer?
27.8.10
brasas
uns a quererem fugir do fogo, tantos aqueles que nunca de lá deveriam sair. ainda assim, anda o mundo chamuscado, com os pés em brasas.
20.8.10
os amigos de la palisse (13)
há muita areia na praia, muita água na praia, muito sol na praia, muita marulhar na praia. no fundo, não existe. essa praia, tão bem sabemos, não é praia sem nós.
14.8.10
rede expressos
sou tão novo para não me perder em viagens por esses machimbombos. se pegadas dos pneus pesados pagassem o correspondente a fortunas de muitos quilómetros, estaria invariavelmente pobre. quero que a terra não seja mais estática nos meus chinelos nº42. é o código regente para os apáticos de espírito. vou encher-me de verão. guardem-me um lugar ao sol para a pigmentação.
10.8.10
6.8.10
os amigos de la palisse (12)
era uma chuva tão miúda e catita que, caso a perícia nos chegasse para o movimento do desvio, haveria sol entre as gotas de água. pena dela: temia a evaporação, andava sempre desidratada.
3.8.10
ºC
celsius não deve ter morrido de elevado temperamento. é a eficácia da escala perene, milhares de amores centígrados depois.
31.7.10
28.7.10
os dedos do maneta
se eu seguir a mão daquele maneta, ainda que ele não veja os seus dedos, haverá a imensa fé de seguir aqueles que, não tendo nada para mostrar, têm o conteúdo de um vazio pronto a transbordar no próximo. muitas multidões, admitamo-lo, têm-se acumulado assim.
26.7.10
24.7.10
os amigos de la palisse (11)
um pedaço de vida para deitar fora, um pedaço de morte para arrumar no bolso.
21.7.10
memórias das minhas migalhas tristes
estão umas migalhas espalhadas pelo chão simulando figuras geométricas. e pensamos sempre:«se nos der fome e angústia, perde logo o mundo as formas do costume».
18.7.10
é uma ideia minha
queríamos (todos) uma recompensa. o tempo não costuma embandeirar nessas brincadeiras.
15.7.10
12.7.10
os amigos de la palisse (10)
este calor faz o corpo transpirar à medida que o seca, e se nós pretendemos acabar com a brincadeira, há água e tanto mais, não vão as ideias evaporar também.
7.7.10
5.7.10
os impérios delas
era um império calejado de formigas prontas a proteger as suas galerias. não gostavam do nome de formigueiro. chamavam-lhe, de preferência, casa. e nós, tal como na nossa, respeitávamos.
2.7.10
30.6.10
orquestra
era uma bela orquestra, sim senhor. tinha grandes momentos de silêncio. saímos de lá com o mutismo característico de quem ouviu mais do que à partida esperava.
29.6.10
a vontade virada para dentro

andamos num plano inclinado, claro. parasita, autosita, parasita, autosita, nós e o mundo, nós e o mundo. fim: o nosso, o do mundo.
27.6.10
os amigos de la palisse (9)
se o mundo fosse só eu, haveriam muitas galáxias povoadas com os meus sonhos. e o universo tenderia à constante expansão, sem medo do big crunch.
24.6.10
o amor em visita
e em cada espasmo eu morrerei contigo, escreveu ele. não posso desejar mais do que esta espécie de abismo, tanto pelo poema como produto das mãos deste alguém, como pela visita ao amor, acabando por dar, como diria o outro, o passo em frente.
22.6.10
novos evangelhos
«Olharei a tua sombra se não quiseres que te olhe a ti, Quero estar onde estiver a minha sombra, se lá é que estiverem os teus olhos.»
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago.
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago.
21.6.10
19.6.10
os amigos de la palisse (8)
não poderemos nunca voltar ao início se cada vez estamos mais longe dele. e o nosso mundo alongadamente rectilíneo.
16.6.10
13.6.10
a esperança de não morrer novo
está presa por um fio de cabelo que me deste, ainda que não propositadamente, quando atrás de ti andava. é esse folículo piloso que, vá lá, serve-nos melhor que qualquer anel, e não só por ser mais barato.
10.6.10
os amigos de la palisse (7)
deve-se falar muito e errar bastante, até ao dia em que falaremos pouco, sem errar quase nada.
1.6.10
refeições e a memória delas
não está certo não conseguirmos dormir à noite, bem como os estragos das refeições prolongadas por odores que, tal como simples madalenas, visitam-nos em revivalismos de abraços de comunhão. tão bons amigos partilhando a mesa, tão cara a memória desses momentos. eternos pensamos ser, eternos por hoje somos.
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sem pressa de chegar longe, um blogue de joaquim francisco cinzento, sem data para se cumprir.
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