2.7.11

os amigos de la palisse (33)

se muitas das nossas perguntas ainda não têm respostas, então ainda nos faltam fazer muitas mais perguntas.

15.6.11

moinhos de vento (2)

que fujam os medos fujam as moradas das casas fujam as lápides da terra fujam os prestigitadores fujam ai fujam pelos moinhos de vento fujam as bruxas de ourique fujam as mulheres de badajoz fujam todas com o seu café português fujam das linhas férreas do portugal profundo enterrado no macadame fujam pelo elevador dos guindais fujam amigos fujam enquanto houver tempo para fugir do país que é uma dívida pesada fujam.

7.6.11

no avião vou
com as asas que tenho.

27.5.11

os amigos de la palisse (32)

trocámos a quinquilharia esquecida nos nossos armários pelos receios escondidos no cadafalso da alma. uma alma guilhotinada acabará sempre por receber a mesma sentença de esquecimento.

23.5.11

a minha salvação repousa nos teus dedos
e nos teus resquícios de mulher - poema.

15.5.11

moinhos de vento (1)

que chova em mim chova em nós chova intervalos nos telhados chova água sobre água chova luz chova alguidar de vinho sobre o peito chova amor tingido chova cor de burro a fugir chova quixote e os seus moinhos de vento chova escárnio chova em mim chova por dentro chova fogo cuspido chova barroco manuelino chova a guerra chova o meu nome falso chova sobre a minha boca aberta.

3.4.11

há uma mágoa
nas pedras.


19.3.11

devolve-me os laços,
meu amor.

18.3.11

via-se ao longe.
é uma laranja, dirão.

é laranja, dizia.

7.3.11

de que falávamos quando falávamos
de amor?

3.3.11

os amigos de la palisse (31)

tantas, tantas carpideiras para esta canseira de se ser feliz.

1.3.11

1barco
4
r
e
m
o
s
3braços
o direito, e o seu esquerdo
e aquele que todos
nós
queremos.

28.2.11



Ghada Amer: Love Has No End

25.2.11

os amigos de la palisse (30)

escrever sobre a vida como quem aprecia carapau de escabeche. bom não é esperar a maneira como ela vai acabar por sair, mas aguçar o gosto que ela nos dá ao entrar.

19.2.11

16.2.11

o mar de não querer voltar

há um barco que vem pela terra,
lança a âncora nos nossos pés,
se por acaso cresce em nós um caule
é a tripulação em debandada que sobe
farta de tantos dias passados no mar.

10.2.11

os amigos de la palisse (29)

muita gente gentil tem vindo a nossa casa cear. muita mesmo. e, no entanto, andamos mais desconfiados. loucura nossa, só pode, para partilharmos a mesa com o potencial inimigo. que não se perca uma espinha ao descer-nos a garganta enquanto estivermos a dissimular um sorriso.

7.2.11

ai

ai se eu pudesse ser todas as exclamações dentro dos meus ais!

4.2.11

angina

esta constrição no peito / este peito constrangido / este coração moribundo / este aperto no meu mundo.

1.2.11

os amigos de la palisse (28)

havemos de morrer um dia e será irremediavelmente um choque, até porque depois da nossa morte, os amigos de la palisse continuarão bem vivos, irremediavelmente.

28.1.11

fogo-de-artifício

continua aqui, bem dentro dos meus olhos, não sei quando vai, não aguardo que regresse, mas continua aqui, bem dentro dos meus olhos, acabará um dia pois os meus olhos um dia irão fechar, ou os meus olhos são eternos para lá desta linha de tempo, mas continua aqui, bem dentro dos meus olhos. venham todos, venham ver, bem dentro dos meus olhos.

26.1.11

wasted hours

cinza

o mundo é cinzento.
o mundo é cinzento.
o mundo é cinzento.
será o mundo cinzento?
será o mundo cinzento?
será o mundo cinzento?
tenho quase a certeza que é cinzento.
tenho quase a certeza que é cinzento.
tenho quase a certeza que é cinzento.
e se ele é colorido na parte que me falta?
e se ele é colorido na parte que me falta?
e se ele é colorido na parte que me falta?
sou eu o Cinzento.
sou eu o Cinzento.
sou eu o Cinzento.


(x n vezes)

21.1.11

ele que venha

quando tudo é tão mau, já nada poderá ser bom e o que é não chega a ter sabor. o diabo que venha.

18.1.11

os amigos de la palisse (27)

sem um senso comum de dúvida, a certeza passa a ser a certeza de saber sem errar. e se erramos sem o senso de errar, mais a certeza de não errar emerge, sem sabermos nós quanto errado estamos enquanto pensamos saber.

15.1.11

e não é que é mesmo

triste ver as pessoas fumar à porta do hospital?

9.1.11

d'este viver aqui neste blogue descripto (1)

«(..) Queridos pais aqui no Chiúme as coisas correm o melhor possível dentro do melhor possível que é possível (..)»


António Lobo Antunes, Os Cus de Judas

4.1.11

os amigos de la palisse (26)

os amigos de la palisse já deveriam saber como as engrenagens funcionam, mas não, continuam surpresos, quase sempre, para bem deles - e nosso.

30.12.10

segredo

"ir sem parecer que vou"

29.12.10

pinheiro, júlia

dizia ela que só queria pôr um lenço na cabeça. com aquela voz tão estridente, eu só tinha pena de não lhe colocarem um lenço na boca.

24.12.10

neste ano como no outro




(o melhor até agora, david, o melhor)

21.12.10

os amigos de la palisse (25)

não conseguir ver ao longe aquelas palavras tatuadas no nosso peito diz muito da miopia que tende a assolar os nossos corações já amblíopes.

18.12.10

escorregar por entre as contorções

algo vive nestas linhas parkinsonianas. é um tremor que vem de dentro. um cativeiro, disseram-me um dia, que nos deixa andar catitas a balançar a corda que o carrasco virá um dia reclamar. da minha parte, este pescoço fino e delicado diz muito da vontade em escorregar por entre as contorções dessas cordas fóbicas.

15.12.10

colibri

chamou-me colibri. algum dia viria em que a timidez não a impediria de me julgar um beija-flor taquicárdico.

10.12.10

apostar

se o tempo cura tudo? não arrisco, até porque, até ver, o tempo vive mais do que nós, e, vai daí, posso tanto apostar na sua eficácia como na sua preguiça. e eu nunca fui bom em apostas.

7.12.10

nem é

tem sido muito difícil empilhar toda esta enxurrada de probabilidades. mais fácil é reconhecer que, enfim, isto não foi - nem é - nada.

4.12.10

os amigos de la palisse (24)

o único livro constante na sua cabeceira era, invariavelmente, o dicionário. à noite, nas leituras depurativas da existência (espécie de centrifugação do sentimento de si), constatava o seu analfabetismo. a humildade de reconhecer que ainda andamos a gatinhar nunca fez mal a ninguém.

2.12.10

hoje, fala-me de hoje




Today you were far away
and I didn't ask you why
What could I say
I was far away
You just walked away
and I just watched you
What could I say

How close am I to losing you

Tonight you just close your eyes
and I just watch you
slip away

How close am I to losing you

Hey, are you awake
Yeah I'm right here
Well can I ask you about today

How close am I to losing you
How close am I to losing

28.11.10

tanto bate até que fura

a minha paciência mole na tua teimosia dura.

revisitar

regozijo-me quando olho para mim e me vejo em termos de perspectiva cónica, com todos os horizontes a convergirem para um de dois pontos de fuga.

25.11.10

os amigos de la palisse (23)

uma guitarra invertida não inverte o seu som. daí que o homem, por mais invertido e distorcido - por sua vontade ou imposta -, também não consegue perder um fio de humanidade. como se fosse difícil, dentro das várias melodias do quotidiano, perder a melodia que no ouvido, por fim, resta. e o mais que fazemos é trautear a música dos nossos mortos sempre vivos.

20.11.10

pigmento

pingo de luz procura cores primárias progenitoras!

19.11.10

os amigos de la palisse (22)

tratar aquilo que não tem arranjo é mais do que teimosia, é tortura. saber quando desistir é bem mais útil do que saber quando vencer. num futuro reservado a cada um, também nos faltará o devido conserto.

13.11.10

ponto morto

nem avançar nem recuar, ainda assim com o pé na vida estática, até nos encarreirarmos numa nova mudança.

10.11.10

sucata


qual aventura?

Rotina s/ chumbo: o combustível mais barato pra vida!

os amigos de la palisse (21)

duas metades de um não são iguais, assim como esse um não é igual à metade desses dois. é uma questão de ver a simetria que não está nessa assimetria que de facto é.

9.11.10

scratch my back

também eu me lembrei dessa música, também eu. obrigado, pela excepção.

8.11.10

.

amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria amor fúria.

7.11.10

po(dia)

está na hora de fazer do dia noite e tornar o cacarejo apenas ruído. só isso.

4.11.10

cadência de inventar respostas

as oportunidades de acabar são cada vez menos que as oportunidades de começar. tantos princípios que se afunilam em poucos fins. a problemática de encetar o rastreio de probabilidades de terminar o que se principia está para nós como uma equação cheia de incógnitas, nós mesmos uma dúvida que não se lhe reconhece solução. melhor é continuar nesta cadência de inventar respostas, quiçá um dia se acerte.

1.11.10

os amigos de la palisse (20)

todas cintilam, umas mais que as outras, todas parecendo muito acima de nós. as mulheres da nossa vida, claro.

lido no facebook, juro


alguém percebeu?

30.10.10

é àssim

qualquer coisa que me venha à cabeça.

25.10.10

circuitos

circum-navegando um livro, curto-circuitando um dogma.

20.10.10

literatura fantástica

a fantasia final de chegar à realidade.

17.10.10

os amigos de la palisse (19)

muito voltar, muito partir, muito não saber. um dia, morrer, e continuar sem saber.

11.10.10

muletas

ninguém avisou os filhos da madrugada que, ironicamente, ainda é de noite. e muitos anos têm vivido, só pode, com uma venda branca. a claridade baça que os anima encerra os canos das espingardas - extensões dos braços vizinhos - que não chegaram a ser exiladas. uns contra os outros, não há figura simbólica, um homem, um corpo que sintetize a vontade de mudança. outrora um regime, hoje uma sociedade diluída. e não há fado ou saudade que nos valha neste amparo do país de muletas.

8.10.10

os amigos de la palisse (18)

como cacos de ouro em potes remendados, a vida remendada é mais difícil de negociar com as agências de rating do descanso eterno.

5.10.10

city with no children

uma cidade sem crianças, uma cidade sem civilização.

2.10.10

definição de eternidade

hoje ainda não é o dia em que vou morrer.

(colocar em repeat)

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sem pressa de chegar longe, um blogue de joaquim francisco cinzento, sem data para se cumprir.